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Evasão e reprovação escolar são debatidas no fórum da Seplan

Os desafios da educação diante dos índices de evasão e reprovação escolar, nas zonas urbana e rural, foram abordados na palestra “O que apontam os indicadores educacionais para a população jovem do Estado do Pará”, na programação Café com Planejamento, uma formação continuada realizada pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), na manhã desta quinta-feira (27), no auditório do órgão. Gestores, técnicos e outros participantes refletiram sobre as políticas públicas desenvolvidas no âmbito regional para diminuir os entraves educacionais.

Sônia Maria da Silva Campêlo, mestre em Educação pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e membro do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Trabalho e Educação (GEPTE/ICED/UFPA), apresentou um diagnóstico sobre o Ensino Médio na Amazônia, com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) realizados em 2002, 2007 e 2012.

Os estudos constataram um alto contingente de jovens fora da escola. “De 15 municípios com alto índice de abandono, em 2002, nove são paraenses. Em 2012 são oito, localizados no sul e sudoeste, local de fluxos migratórios decorrentes do crescimento desordenado e da dependência econômica da região aos grandes projetos, prevalecendo, portanto, a zona rural sobre a zona urbana”, afirmou a pesquisadora.

Empenho do Estado - O professor José Roberto Alves da Silva, secretário adjunto na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), afirmou que o Pacto pela Educação evidencia justamente o empenho do Governo do Pará em resolver problemas de longo prazo demonstrados pelos números apresentados anteriormente pela pesquisadora. 

A palestra foi contextualizada por dados nacionais, mas traçando paralelos com os estaduais. “Dos 6,8 milhões de habitantes com 10 anos ou mais de idade, no Pará, 9,1% são analfabetos. O índice nacional é de 7,4%”, disse Sônia Campelo, chamando atenção ainda para a defasagem quanto à idade à época da entrada na escola. “11% das crianças já estão com 6 ou 7 anos”, informou, mostrando os índices locais de reprovação e abandono no 3º ano do ensino fundamental e na 1ª série do ensino médio.

A entrada precoce no mercado de trabalho é um dos motivos da evasão, e alimenta uma estatística preocupante. Uma parcela da população se afasta da escola, diminuindo a possibilidade de formação de mão de obra qualificada. “O setor Comércio concentra a maior participação de jovens no mercado de trabalho, um número que alcança 32% da população de 18 a 29 anos”, ressaltou Edson Silva, da Coordenadoria de Estudos e Pesquisas Econômicas e Análise Conjuntural, da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). Ele sinalizou que o setor é um dos que menos exigem formação específica, mas apresenta grande rotatividade.

A permanência no mercado de trabalho, segundo Edson Silva, é de 23,9 meses, atingindo 68% dos jovens, o que sugere a necessidade urgente de intervenção com programas e ações que rompam com essa estrutura. Estudos da Fapespa mostram ainda que houve retração no estoque de empregos dos jovens, de 2% em 2014, e 8% em 2015.

Avaliação - O estudante de Direito João Lucas Costa da Silva, participante do Conselho Estadual de Direitos da Criança e Adolescente (CEDCA) e colaborador Jovem da Comissão de Defesa da Criança e Adolescente da OAB/PA (Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará), apresentou as conclusões de um trabalho feito por grupos de estudantes do CEDCA, enfatizando problemáticas diárias na vivência escolar diante de desafios sociais, econômicos e familiares. “Mesmo que se reconheçam avanços concretos no âmbito do aparelhamento, ainda existem distâncias a serem vencidas entre escola e aluno, escola e família”, afirmou.

“Se grande parte do recurso destinado à educação é para pagamento de pessoal, temos um problema”, frisou o professor Rubens Cardoso, reitor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), reiterando a necessidade de investimentos que atendam às necessidades do ambiente escolar. “Tudo sofre evolução, do carro às técnicas fotográficas. A educação se mantém no mesmo patamar de séculos passados”, avaliou o reitor.

O debate foi acompanhado por Yolanda Vieira, conselheira do CEDCA, e Aldriene Vasconcelos, do Movimento Emaús, para quem um fórum de discussões sobre políticas públicas como o Café com Planejamento deve ser copiado por outras instituições.

Por Maria Christina
Seplan

Fotos: Brenda Maradei
Data: 27/7/2017

 

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