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Policiamento Comunitário aproxima Polícia Militar da sociedade em Mosqueiro

O distrito de Mosqueiro, distante 80 quilômetros do centro de Belém, conta com uma população de aproximadamente 33 mil habitantes e uma área territorial de 212 km². Mas no período de veraneio esta população pode chegar a 500 mil pessoas. Para melhor atender a população no que diz respeito à segurança pública, a Polícia Militar do Pará intensificou a aproximação com a comunidade e criou uma rede de informações que dinamizou o policiamento preventivo na ilha. Até um programa de rádio apresentado pelos policiais tem sido uma ferramenta de grande auxílio no policiamento comunitário.

Devido a extensa área do distrito, o policiamento preventivo se dá com a divisão de duas companhias: a primeira com sede na vila e a segunda abrangendo as áreas de Carananduba, Baía do Sol e Marahu. Segundo o comandante do 25º Batalhão de Policiamento, situado no distrito de Mosqueiro, tenente coronel Henrique Pereira, esta é uma grande ferramenta, baseada em uma rede de comunicação estabelecida na ilha. Segundo ele, quanto mais rápido for o comunicado da ocorrência, mais chance a polícia terá de lavrar um flagrante.

Ele explica que para a aproximação com a comunidade foram realizadas visitas e reuniões nas redes escolar, bancária e de investidores, dentro dos próprios bairros, criando um sistema de comunicação com estes segmentos. “As redes de comunicação não se baseiam apenas em grupos de WhatsApp, mas em ligações telefônicas diretas e uma aproximação real com as pessoas”, destaca.

Entre as boas práticas que nasceram com esta aproximação da comunidade está a confecção de imãs de geladeira com os números de contato dos policiais mais próximos em serviço e placas dispostas em locais estratégicos da ilha com os mesmos contatos. Ao todo foram confeccionadas 14 placas e milheiros de imãs de geladeira. “A partir do momento que a comunidade se apodera dos contatos nós passamos a receber as ligações, principalmente nos finais de semana, com denúncias”, comenta.

Apesar de toda a característica distinta da ilha, o policiamento se dá no mesmo formato do policiamento preventivo, conforme a atuação das demais unidades da Polícia Militar. Um fato que chama a atenção é a ocorrência de uma população visitante que tem propriedade na ilha e um público flutuante que visita as praias do balneário.

As maiores ocorrências dizem respeito a furtos, roubos e arrombamento de casas de veraneio. Muitas casas não têm moradores, nem caseiros e nem sistema de segurança e acabam sendo alvo de oportunistas que praticam arrombamentos. O comandante adiantou que muitas das ações planejadas para o período de veraneio foram direcionadas pela própria comunidade nos diálogos com os policiais.

“Esta tem sido uma pareceria que não se via antes. Eu como comerciante andava muito insegura. A gente não sabia se trabalhava ou se ficava preocupada com a segurança. Eles estão fazendo uma revolução, um trabalho muito importante com a comunidade, hoje a gente fica um pouco mais à vontade”, explica a comerciante Patrícia Souza, 52 anos.

Ela é uma das entusiastas da parceria com os policiais e organizou um grupo de comerciantes que tinham a mesma preocupação com a segurança e que, junto com o 25º Batalhão, cuidaram da confecção das placas com os contatos dos policiais.

Programa “Mosqueiro Seguro

Além do contato via telefone, todas as quartas-feiras, de 8 às 9h da manhã, na Praiana FM (104,9) e pelo Facebook, os moradores de Mosqueiro acompanham o programa “Mosqueiro Seguro”, que tem sido outra ferramenta de aproximação da comunidade.

“O público recebeu o programa com um grande acolhimento. Todas as manhãs quando começamos o programa o telefone começa logo a tocar com pessoas dando informações ou ligando apenas para conversar. Nós já temos um público fiel que nos acompanha e que passou a ver a polícia como um amigo”, comenta o capitão Renato Brandão, que apresenta o programa.

“A partir do momento em que se cria esta parceria, esta troca de informações, você consegue inibir o crime porque o morador da rua, do bairro, sabe quem são os bandidos e quando está acontecendo o crime, o assalto, um roubo a uma residência. Nós somos privilegiados pela Polícia Militar por ter este comportamento aqui no Mosqueiro. Estando dentro da comunidade nós percebemos a presença do policial”, comenta o bacharel em direito Armando Amarante Filho, de 64 anos.

Para ele, uma polícia mais humana e mais aberta ao diálogo pode propiciar aos moradores uma maior sensação de segurança. “O que eu quero é poder andar na rua e ir à praia com minha família, poder bater um papo ou dar uma festa na minha casa, poder viver com liberdade e com dignidade”, comenta.

Combate ao uso de drogas

Outra arma para a prevenção que está sendo utilizada em Mosqueiro é o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), que é aplicado em quatro escolas estaduais do município e atende 270 alunos. “O objetivo é evitar que este jovem se enverede pelos caminhos das drogas e pela violência. É para que, se ele sofrer algum tipo de aliciamento para o uso de drogas e para a prática de violência, ele já saiba como evitar”, explica o cabo Artur Leno, instrutor do Projeto.

Em forma de palestras, os instrutores trabalham uma cartilha com os alunos para sensibilizar e para que os jovens aprendam a dizer não às drogas e à violência. “Somente a escola não dá conta de realizar sozinha este trabalho, é preciso uma parceria entre todos para combater. O projeto também nos ensina a como lidar com este tipo de situação”, comenta a diretora da escola Estadual de Ensino Fundamental Inglês de Souza, Fernanda Caldas Oliveira.

O policiamento comunitário na ilha de Mosqueiro é praticado pelos policiais do 25º Batalhão de Policiamento, em parceria com os órgãos de segurança pública, Fórum, Ministério Público, Defensoria Pública, Guarda Municipal, Semob e Sociedade Civil.

Por Márcio Flexa
Secom

Data: 25/6/2018

Fonte: http://agenciapara.com.br/Noticia/170202/policiamento-comunitario-aproxima-policia-militar-da-sociedade-em-mosqueiro