Servidores do Estado são capacitados em gestão de resíduos sólidos e desenvolvimento industrial no Japão

Com o objetivo de enriquecer os conhecimentos prévios com as experiências desenvolvidas em outros países, a fim de que as mesmas possam contribuir com a elaboração de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável do Pará, dois servidores do Estado realizam treinamento nas áreas de gestão de resíduos sólidos e de desenvolvimento industrial, no Japão. Os cursos são disponibilizados pela JICA (Japan International Cooperation Agency) em parceria com o Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Planejamento (Seplan). 

 

Voltado para o desenvolvimento de conhecimentos relacionados à gestão eficiente dos resíduos sólidos, o treinamento pelo qual passa o fiscal de equipamentos turísticos da Secretaria de Turismo (Setur), Daniel Neri Pantoja, teve início ainda no dia 20 de agosto deste ano. Porém, antes que seguisse para a cidade de Kobe, no Japão, o treinamento adotou, inicialmente, iniciativas positivas mantidas aqui mesmo, no Brasil. “O treinamento iniciou em Brasília (DF), onde participamos de palestras e conhecemos grande parte do processo de reciclagem de resíduos sólidos mantido pela autarquia que é referência no Brasil nesse tipo de operação, conta Daniel. “As palestras e as visitas seguiram até o dia 21 de agosto, quando embarcamos para São Paulo (SP), onde também conhecemos as instalações (da autarquia responsável pelo tratamento dos resíduos da cidade de São Paulo), procedimentos de reciclagem, compostagem e várias palestras com funcionários especialistas. 

 

Desde o dia 24 de agosto a capacitação segue no Japão. Além de aulas de história, cultura, economia e língua japonesa, as atividades envolvem visitas técnicas a projetos que demonstram as evoluções conquistadas pelo país em relação à correta destinação do lixo produzido. “Já visitamos universidades locais, tivemos palestras sobre meio ambiente, economia e a estrutura de governo japonês", exemplifica Daniel. “Cada participante também já apresentou seu relatório inicial, colocando as dificuldades de sua cidade, e estamos fazendo uma análise dos principais problemas dentro de cada realidade para chegarmos às melhores soluções. 

 

Além de Daniel, outros dois brasileiros, três moçambicanos, um angolano e um cursista natural de São Tomé e Príncipe integram a turma. Nesta fase do treinamento, todos se encontram na cidade de Kyoto, onde ocorrerá a maior parte do curso que está apenas no início. “O curso ainda está no início aqui no Japão, entretanto, estou impressionado com o funcionamento da cidade e a educação japonesa”, apontou o servidor, certo de que a experiência poderá contribuir em muito para o Estado do Pará. “Aqui no Japão, quando as pessoas percebem que tem algum lixo, por exemplo, uma garrafa no chão, eles levam consigo, tudo uma questão de educação. 

 

 

Daniel Pantoja e colegas de turma, durante treinamento de Gestão de Resíduos Sólidos, oferecido pela JICA nas cidades de   Brasília, São Paulo e Kobe, no Japão. Foto: Divulgação.

Daniel Pantoja (centro, de camisa azul) e colegas de turma, durante treinamento de Gestão de Resíduos Sólidos, oferecido pela JICA nas cidades de Brasília, São Paulo e Kyoto, no Japão.

 

Desenvolvimento – As experiências e práticas desenvolvidas no país também são o cerne do curso Desenvolvimento industrial regional considerando recursos locais, do qual participa o diretor de ciência e tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), Demethrius Pereira Lucena de Oliveira. “A experiência tem sido de crescimento para o nosso Estado. É com grande satisfação que percebo que muita coisa que estamos vendo aqui será útil para o desenvolvimento do Pará”, aponta. 

 

Demethrius  conta que o treinamento teve início no dia 31 de agosto deste ano, na cidade de Kyushu, porém, várias outras cidades japonesas ainda serão visitadas ao longo do curso. “O curso funciona como uma consultoria especializada e em todos os momentos trabalhamos com dados reais e problemas que enfrentamos como, por exemplo, a necessidade de desenvolvimento das cadeias produtivas de frutas, hortaliças e pescado. 

 

A partir do treinamento prático sobre como as indústrias locais do Japão funcionam, a expectativa é de que sejam identificadas maneiras de adotar estratégias que possam atender às necessidades do Pará. “Formamos um grupo comigo, único representante do Brasil, e dois representantes da Argentina para tratar do apoio ao desenvolvimento da cadeia produtiva do pescado e resolvemos escolher como tema a produção do pescado no Pará”, aponta Demethrius. “O nosso plano de ação vem precedido de um plano de negócios e estamos utilizando as ferramentas de planejamento estratégico mais avançadas para desenvolvê-lo. Mas é só um exemplo de vários outros que poderemos executar a partir do conhecimento agregado pelo curso”. 

 

 

 

Demethrius Lucena (em pé), durante apresentação dos números da indústria do agronegócio no Pará para a JICA, na cidade de Kyushu, no Japão.

 

Seleção - Para que pudessem participar dos treinamentos, tanto Daniel Pantoja, quanto Demethrius Lucena passaram por processos seletivos que atenderam a critérios estabelecidos pela própria JICA. A Seplan foi a encarregada de receber os documentos dos interessados, pelo Estado do Pará, e encaminhá-los à JICA, responsável pela seleção nacional dos candidatos e divulgação do resultado final. 

 

 

Por Cintia Magno

Fotos: Divulgação